O guia completo de visualização de dados

A visualização de dados “dá vida aos dados”. Em outras palavras, ela permite que os dados sejam lidos por meio de representações comuns em nosso cotidiano. Gráficos, diagramas e mapas são exemplos de mecanismos usados para a visualização de dados.

Com exceção dos mapas, os primeiros gráficos e imagens começaram a surgir na década de 1950, com o uso de computadores centralizando dados. Desde então, novas formas de visualização de dados foram desenvolvidas e se popularizaram.

 

O que é visualização de dados

 

Visualização de dados é o processo de representar informações potencialmente complexas ou abstratas, como números, estatísticas, tendências ou padrões, por meio de gráficos, mapas, infográficos e outras formas visuais.

Para o estatístico americano Edward Tufte, essas representações consistem em “comunicar ideias complexas com clareza, precisão e eficiência”. Quando as visualizações de dados são feitas corretamente, elas fornecem informações claras sobre conjuntos de dados que, à primeira vista, são complicados de interpretar.

Essas representações, que combinam ciência e design para facilitar a compreensão do leitor, permitem a tomada de decisões informadas com base na análise de dados e podem ajudar a encontrar soluções para problemas complexos em diversas áreas.

 

Tipos de visualização de dados

 

Embora o campo da visualização de dados esteja em constante evolução, listamos abaixo algumas categorias estabelecidas que são amplamente usadas e continuam relevantes na análise de dados:

 

Gráficos

 

Fonte: Qlik Demos

Gráficos são representações visuais de dados usadas para comunicar informações de forma clara e eficaz.

Para isso, os gráficos são compostos por símbolos visuais, como barras, linhas, seções e ícones que ajudam a representar os dados.

Os tipos mais comuns de gráficos incluem: gráficos de barras, gráficos de barras empilhadas, gráficos de linha, gráficos de área, gráficos de pizza, bubble charts, gráficos de dispersão, treemaps, gráficos de funil, mapas de calor, gráficos de cascata e gauge charts.

Os gráficos ajudam na identificação de tendências, padrões, relações e diferenças nos dados, facilitando a interpretação e compreensão das informações apresentadas aos usuários.

No entanto, é necessário escolher o modelo de gráfico que melhor se adapta ao fenômeno sendo medido e aos objetivos da análise. Escolher o tipo de gráfico que não funciona com um tipo específico de dado pode distorcer ou representar erroneamente o material.

 

Infográficos

 

Um infográfico é uma representação explicativa que combina gráficos, imagens e textos para fornecer uma visão geral, resumo e visualização de um determinado fenômeno ou assunto. Em outras palavras, é a combinação perfeita de recursos visuais e textuais para transmitir uma ou mais informações de forma mais clara, fácil e atraente.

Não é algo novo, mas se popularizou nos últimos 20 anos graças ao maior acesso à tecnologia digital e à internet.

Nesse contexto, os infográficos ganharam espaço como uma ótima forma de apresentar dados complexos de maneira atraente e fácil de entender, e se tornaram uma parte essencial da comunicação de dados em muitas áreas, incluindo jornalismo, publicidade, marketing, educação e ciência.

Os tipos mais comuns de infográficos são: estatísticos, informativos, geográficos, orientados a processos, comparativos, geradores de listas e infográfico de currículo.

 

Diagrama

 

Um diagrama é uma representação gráfica visual de informações. Semelhante a um gráfico, um diagrama é uma forma esquemática de apresentar ligações entre diferentes elementos que compõem um conjunto ou sistema.

Em geral, são usados para mapeamento de processos, identificação de KPIs para tomada de decisão, conexão de ideias, planejamento de projetos, etc.

Os exemplos mais comuns são: fluxograma, histograma, diagrama de árvore, análise SWOT, diagrama de espinha de peixe, mapas mentais, diagramas de caso de uso e mapa do site.

 

Mapas

 

Mapas são representações esquemáticas de um lugar específico, como países e cidades. São uma ferramenta essencial para a análise e visualização de dados geográficos.

Fonte: Qlik Demos

Além disso, os mapas podem ser combinados com outros tipos de gráficos e infográficos para fornecer uma representação visual mais completa dos dados.

Em um ambiente digital, mapas interativos (como o Google Maps) permitem que os usuários explorem dados de forma mais detalhada e personalizada, e estão se tornando cada vez mais populares.

Os tipos mais comuns de mapas são: mapa de calor, mapa de pontos, mapa de linhas, mapa de área e mapa de bolhas.

 

Qual é o propósito da visualização de dados?

 

O principal objetivo da visualização de dados é tornar as informações que se deseja transmitir mais compreensíveis e acessíveis, ajudando a identificar tendências, padrões e insights que podem ser difíceis de perceber apenas com dados brutos.

Nesse sentido, a visualização de dados pode ser usada para:

 

Tornar os dados fáceis de entender

 

A visualização de dados influencia a forma como o cérebro processa informações. Interpretar grandes volumes de dados nem sempre é possível, o que torna essencial o uso de gráficos, diagramas e outros recursos. Com eles, é possível organizar essas informações e transmitir conceitos em uma linguagem mais universal para a compreensão humana.

E isso se aplica a todos os tipos de dados, mesmo os mais complexos. A grande vantagem aqui é a possibilidade de agrupá-los e simplificá-los para que até mesmo não especialistas possam entender esses conjuntos de dados.

Um infográfico, por exemplo, pode apresentar conceitos ao público em geral sobre um determinado assunto especializado de forma didática e ilustrada, e em uma linguagem que eles possam entender facilmente.

 

Realizar uma investigação mais precisa

 

A representação visual das informações e a forma como são agrupadas permitem uma maior percepção de padrões, facilitando assim uma melhor noção desse conjunto de dados em comparação com sua forma bruta.

Ao simplificar os dados que as visualizações possibilitam, é possível compreendê-los mais profundamente. Isso é algo extremamente importante, especialmente quando é necessário traçar uma estratégia acionável.

 

Identificar tendências e fenômenos atípicos

 

Outro benefício que vem da simplificação dos dados e de sua investigação é a capacidade de identificar tendências e valores discrepantes.

No entanto, isso só é possível com um bom uso da visualização de dados, escolhendo representações apropriadas e usando recursos visuais que auxiliem na identificação de padrões e anomalias.

Um exemplo prático são os termômetros usados em máquinas industriais. Eles apresentam uma escala (graus), um marcador (ponteiro) e medem apenas uma grandeza (temperatura).

Embora simples, esse tipo de representação visual da temperatura reduz drasticamente as chances de um evento crítico acontecer, pois é muito mais precisa do que a percepção humana de calor e é capaz de alertar sobre situações atípicas.

A visualização de dados aqui servirá para indicar a temperatura adequada ou crítica. Para isso, além do ponteiro, também é possível usar cores para ajudar a identificar o fenômeno atípico. Por exemplo, a faixa de temperatura normal pode ser identificada com a cor verde e a faixa de temperatura crítica com a cor vermelha.

 

Identificar relações e correlações

 

A visualização de dados pode ajudar a identificar correlações entre diferentes variáveis, o que seria muito mais difícil de identificar apenas com dados brutos.

Por exemplo, em um gráfico de dispersão mostrando a relação entre preço e vendas de um produto, é possível identificar o ponto ideal onde preço e quantidade de vendas são maximizados, permitindo que decisões informadas sejam tomadas sobre o preço do produto.

Ao identificar relações entre os diferentes conjuntos de informações, as visualizações de dados podem ajudar a revelar insights importantes e orientar decisões estratégicas.

 

Contar uma narrativa com dados

 

A visualização de dados pode ser uma ferramenta poderosa para contar histórias com dados. Ao criar visualizações, os dados podem ser organizados e apresentados de uma forma que comunica uma narrativa clara e coerente.

Mas para que isso seja eficaz, é importante entender o público-alvo e o propósito da visualização. Uma boa narrativa deve ser adaptada para atender aos interesses e necessidades do público pretendido. Quando isso é bem feito, a visualização de dados pode transformar um conjunto de números em uma história envolvente e informativa.

 

Monitorar desempenho

 

A visualização de dados pode ser usada para monitorar o desempenho de negócios ou sistemas com dados atualizados em tempo real ou periodicamente, permitindo que ajustes e melhorias sejam feitos quando necessário.

Por exemplo, um negócio de e-commerce pode usar a visualização de dados para monitorar o número de visitantes de um site, vendas diárias e taxas de conversão de usuários. Com esses dados, é possível identificar padrões e tendências e tomar decisões informadas para melhorar o desempenho do negócio.

Isso é particularmente importante em ambientes onde os dados estão em constante mudança e onde metas e desempenho precisam ser monitorados de perto.

 

Como desenvolver seus elementos de visualização de dados

 

Vamos agora para os aspectos essenciais da criação de elementos visuais:

 

1. Considere o tipo de dado

 

O tipo de dado que você está tentando representar é um fator importante na escolha da visualização de dados. Por exemplo, se você está trabalhando com dados categóricos, como o tipo de carro mais vendido em uma região, gráficos de barras ou de pizza podem ser mais adequados. Se você está trabalhando com dados numéricos, como vendas de uma loja ao longo do tempo, um gráfico de linha pode ser mais apropriado.

 

2. Considere a mensagem que você quer transmitir

 

A visualização de dados escolhida deve transmitir claramente a mensagem que você está tentando comunicar. Por exemplo, se você está tentando comparar valores entre diferentes categorias, como vendas de produtos por departamento, um gráfico de barras pode ser mais adequado, enquanto um gráfico de pizza funcionará melhor se você estiver tentando mostrar a composição percentual de diferentes categorias dentro do todo.

 

3. Cuidado para não distorcer os dados

 

Ao criar visualizações de dados, é importante garantir que os dados sejam apresentados com precisão e sem distorção. Distorcer os dados pode levar a interpretações enganosas e decisões erradas.

Uma das formas mais comuns de distorcer dados é alterar a escala do eixo para que as diferenças entre os dados sejam amplificadas ou diminuídas. Isso pode ser especialmente problemático quando a diferença entre os dados é pequena, mas a escala do eixo sugere uma diferença maior. Para evitar essa distorção, use escalas apropriadas que representem os dados de forma consistente.

 

4. Evite recursos desnecessários

 

Edward Tufte, um dos primeiros estudiosos a trabalhar com visualização de dados, cunhou o termo “chartjunk”, que se refere a elementos desnecessários ou confusos que podem reduzir a capacidade das pessoas de interpretar ferramentas de visualização, especialmente gráficos.

Exemplos comuns de recursos desnecessários incluem o uso de imagens carregadas ou outros elementos gráficos no plano de fundo das visualizações, ou até mesmo a aplicação de efeitos aos gráficos, como gradientes e sombras.

 

5. Considere o público-alvo

 

O público-alvo da sua visualização de dados também é importante. Se você está apresentando para um público geral, pode ser mais apropriado escolher um tipo de visualização mais simples e fácil de entender, como gráficos de barras ou de pizza. Por outro lado, se você está apresentando para um público mais especializado, um tipo de visualização mais complexo que mantenha detalhes técnicos (como um gráfico de dispersão) pode ser mais adequado.

 

6. Use mais de um recurso visual

 

Se o projeto permitir, use mais de um elemento para enriquecer seu argumento. Infográficos combinam diferentes tipos de gráficos e recursos visuais para criar uma narrativa e são um bom exemplo de como isso pode ser explorado.

Outra dica ao escolher recursos para comunicar seus dados é experimentar diferentes tipos de visualização e ver qual funciona melhor. Tente criar várias visualizações diferentes e escolha a que melhor atenda aos seus objetivos e às necessidades do seu público.

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